sábado, 12 de novembro de 2011

TAM adota embalagens biodegradáveis para refeições


Enquanto isso, as emissões de CO2 dos aviões...
Confira você mesmo: neste link está a divulgação da TAM das embalagens biodegradáveis que serão adotadas em "alguns" voos internacionais. Segundo a empresa, elas contem 47% menos plástico que produtos similares. Até aí, beleza, né? É sempre bom ver as empresas tentando cortar o plástico que, como sabemos, pode até ser reciclável, mas tem um índice efetivo de reaproveitamento bastante baixo. Na prática, ele acaba mesmo é em lixões, rios, córregos, ruas etc, onde demora séculos para se decompor. E mesmo quando isso ocorre, é na forma de micropartículas que permanecem no ambiente, como mar e praia, afetando fauna e flora. Ou seja, é um problema sem fim. Qualquer iniciativa de redução no seu uso, portanto, merece ser louvada.

Porém... Eis que surge a tentação de dourar a pílula! E mais um pecado verde é cometido! Pois a ação acima descrita - que é 100% válida, diga-se de passagem - assume ares de greenwashing a partir do momento em que a empresa:
1) declara que a nova matéria prima que utilizará, o plástico feito de bagaço de cana de açúcar, não agride o ambiente (agride, sim, só que em menor escala);
2) diz que a iniciativa reduz o impacto ambiental de suas atividades.

A verdade é que o setor aeroviário é um dos mais poluentes do mundo e quase foi enquadrado no Protocolo de Quioto, aquele que foi assinado em 2008 e que lançou as metas de redução de CO2 para os países desenvolvidos. Na época, alguns setores considerados altamente poluentes quase foram enquadrados também. E isso só não aconteceu porque se comprometeram a implantar cronogramas de auto-regulamentação para reduzir as emissões de CO2. Bom, acho que nem preciso dizer que no caso da indústria aeroviária, segmento que inclui fabricantes e também as companhias aéreas, isso não aconteceu. Tanto que na metade do ano passado, poucos meses antes da CoP15, a entidade do setor, a IATA, estava convocando reuniões para tentar fechar, às pressas, algum tipo de acordo que livrasse o setor novamente de uma regulamentação mundial. As empresas dessa área, portanto, foram umas das principais beneficiadas pela falta de definições legais sobre o tema na CoP15.

Falar do impacto da bandejinha no voo internacional, portanto, é muito pequeno perto do real ônus ambiental causado pela TAM. Por isso, não temos como não enquadrar a empresa no Pecado Número 1 do Greenwashing: o pecado da omissão - aquele que consiste em esconder o que realmente importa enquanto se chama a atenção do consumidor para coisas irrelevantes.

Enquanto isso, aguardo, ansiosa, pela divulgação de iniciativas que deem conta da efetiva redução das emissões da TAM.   Para você ter idéia do quanto  um avião polui, veja a foto abaixo, da Reuters.  Embora linda, a imagem deixa bem claro a quantidade de CO2 que esse tipo de transporte deixa na atmosfera.